segunda-feira, 30 de junho de 2014

Uso e ocupação dos Manguezais da área urbana de Ilhéus


Revista da Gestão Costeira Integrada #(#):#-#8 (2010)
Número Especial 2, Manguezais do Brasil (2010)
Journal of Integrated Coastal Zone Management #(#):#-#8 (2010)
...em inglês...

Uso e ocupação dos Manguezais da área urbana de Ilhéus: Uma abordagem histórica e sócioambiental

Use and occupation in the Mangrove of the Ilhéus urban area - Bahia: A historical and social - environmental approach

Ana Maria Souza Santos Moreau [1]; Jemima Bonfim Hora [2]; Raul Reis Amorim [2]; João Carlos Ker [1]; Felipe Haene Gomes [3]; Mauricio Santana Moreau.


[1] Professores do Departamento de Ciências Agrárias e Ambientais (DCAA) da UESC (email: amoreau@uesc.br e mmoreau@uesc.br) e do Departamento de Solos da UFV (jcker@solos.ufv.br), respectivamente. [2]  Bolsistas de Iniciação Científica da FAPESB e graduandos em Geografia da UESC (reisraul@uol.com.br). [3] Doutorando do Curso de Agronomia da ESALQ.

RESUMO

Objetivando identificar o histórico de ocupação de manguezais da área urbana de Ilhéus (Bahia), bem como, o nível da antropização dos mesmos, cinco bairros instalados em manguezais do município foram selecionados, onde se aplicou um total de 139 questionários com ítens referentes a saneamento básico, condições de moradia, uso do manguezal, carências locais e doenças mais freqüentes. Os resultados obtidos indicaram que, inicialmente, as áreas de manguezal eram ocupadas por pescadores e catadores de mariscos. A partir da década de sessenta, a expansão urbana desordenada e a crise da lavoura cacaueira geraram um alto fluxo migratório em direção a Ilhéus, e assim, com a dificuldade de aquisição da casa própria e o alto custo dos aluguéis, a população passou a invadir e aterrar as áreas de manguezais. Identificaram-se como principais impactos ambientais o desmatamento, construção de aterros sanitários, contaminação e poluição por despejo de lixo e esgoto doméstico com conseqüente diminuição no número de caranguejos e peixes. Apenas no Teotônio Vilella e Vila Nazaré registrou-se a presença de famílias que praticam a catação de caranguejos e mariscos como atividade de subsistência.

Palavras-chave: Manguezal, manguezal de área urbana, impacto ambiental.

ABSTRACT

Aiming to identify the occupational history of the urban area mangroves in Ilhéus (Bahia), as defined by the level of anthropization, five neighborhoods located within mangroves were selected, where a total of 139 questionnaires were filled out with items referring to basic sanitation, living conditions, mangrove use, local shortages and the most common sicknesses. The results indicate that, initially, the mangrove areas were occupied by fishermen and shellfish gatherers. Starting in the 1960s disorganized urban expansion and the cacao farming crisis generated a high migratory influx towards Ilhéus. Because of the difficulties involved in acquiring private housing and the high local rents, the population began to invade and level the mangroves. Principal environmental impacts were identified as deforestation, construction of outhouses, contamination and pollution by disposal of garbage and domestic drain water, which resulted in the reduction of crab and fish numbers. Only in Teotônio Vilella and Vila Nazaré was the presence of families that practice the subsistence gathering of crab and shellfish recorded.

Keywords: Mangrove, urban area mangrove, environmental impacts.

1. INTRODUÇÃO

A relação do homem com os manguezais é antiga. Em sua abrangente revisão bibliográfica, Mastaller (1987), menciona que a literatura é repleta de exemplos em que o homem, desde tempos históricos, como os aborígenes da Austrália e os habitantes pré-colombianos do Equador, manteve um estreito relacionamento com o manguezal.

Além da pesca e da cata de espécies da variada fauna dos manguezais, são vários os registros da utilização de sua mata na forma de carvão e lenha, na construção civil (madeira, barro), nas indústrias: têxtil (fio de viscose e corante); farmacológica (drogas e cosméticos); de papel (cigarros e jornais) e de couro (tanino para curtume) (Corrêa, 1984; Maciel, 1987; Mastaller, 1987 e Vanucci, 1999).

Muitas civilizações tiveram, e ainda mantém, relação histórica com os manguezais. Desde os tempos remotos os manguezais têm sido habitat preferido para os estabelecimentos humanos devido às suas vantagens protetoras contra calamidades naturais e ataques inimigos (Masteller, 1987).

Segundo Lacerda (1999), as populações dos países tropicais tenderam a se concentrar, ao longo da história, às margens de rios e ao longo do litoral, tanto para facilitar o acesso ao interior como para assegurar o escoamento e exportação de seus produtos. A localização dos manguezais em áreas protegidas dos litorais, como estuários, baías e lagoas, coincide com as áreas de maior interesse para as comunidades humanas, uma vez que são as mais proveitosas para a instalação de complexos industriais, portuários e para a expansão turístico-imobiliária. Infelizmente, isso tem levado ao longo do tempo, à erradicação dos manguezais em grande parte dos litorais de todo o mundo.

No município de Ilhéus esta realidade não é diferente. Com o surgimento da lavoura cacaueira, a partir de 1846, a cidade começou a apresentar um rápido crescimento populacional proveniente das elevadas taxas de natalidade e dos fluxos migratórios, acelerando o processo de expansão. A dinâmica de crescimento da cidade foi influenciada pela disposição do relevo existente, que levou a ocupação das encostas, o aterro dos manguezais, a ocupação das planícies costeiras e a ocupação das margens das rodovias que dão acesso ao município (Andrade, 2003). Desde então, os manguezais de Ilhéus, têm sido utilizados como áreas receptoras de efluentes domésticos e resíduos sólidos, deixando as suas funções perspícuas de fonte de alimento para inúmeros organismos aquáticos, berçário para várias espécies estuarinas e marinhas, prevenção da erosão e inundação, retenção de sedimentos e nutrientes (Fidelman, 2002).

Assim, objetivando se avaliar o nível de antropização, o histórico de ocupação em áreas urbanas e estabelecer relações homem-ambiente, foram relacionadas áreas da zona urbana de Ilhéus, em que os manguezais estão sendo impactados, localizados nos estuários dos rios Almada, Fundão, Santana e Cachoeira.

2. MATERIAL E MÉTODOS

As comunidades estudadas pertencem ao município de Ilhéus, localizado na Região Nordeste, no sul do estado da Bahia, entre os meridianos de 39°00 e 39°04' W e os paralelos 14°44' e 14°51' S, na zona fisiográfica denominada Região Cacaueira da Bahia e Região Econômica Litoral Sul do Estado da Bahia (SEPLANTEC/CEI, 1996).

Figura 1. 
Casa no manguezal, Bairro de São Domingos, Ilhéus - BA.
As áreas escolhidas foram visitadas, onde observou-se os aspectos sociais, econômicos e ambientais que deveriam ser contemplados nos questionários. Após este procedimento, os questionários foram elaborados, constando de informações referentes a condições de moradia, doenças de maior ocorrência, uso e importância do manguezal para a família, importância ecológica do manguezal, atividades econômicas e principais carências locais. As questões elaboradas tiveram por objetivo subsidiar análise e entendimento da interação das comunidades estudadas, com o manguezal, verificando os possíveis impactos causados pelas diversas formas de uso. Foram aplicados, no período de janeiro a março de 2003, 26 questionários no bairro do Fundão, 58 na Av. Princesa, 22 no bairro de São Domingos, 16 na Vila Nazaré e no Teotônio Vilela, pela pouca receptividade dos moradores aplicou-se 17. Os dados obtidos foram tabelados e percentualizados, como uma maneira de facilitar a análise e permitir estabelecer inter-relações entre as informações.

3. RESULTADOS E DISCUSSÕES

3.1 Histórico da ocupação dos manguezais de Ilhéus

Poder-se-ia começar este capítulo com a mesma pergunta feita por Vanucci (1999): “quem em sã consciência escolheria os manguezais como lugar para viver se tivesse alternativa?” O infortúnio de toda sorte de mosquitos, o lamaçal constante, a falta de água potável e de saneamento básico seriam motivos mais que suficientes e desestimuladores da fixação do homem nos manguezais. A Figura 1 ilustra esta situação e atesta que a opção de viver ali é difícil. Ela induz a especular, ainda, se tal opção não é reflexo da grande exclusão social que ainda persiste no País, mesmo cerca de quinhentos anos após o descobrimento.

Uma passagem, ainda que não muito profunda, pela literatura do sul da Bahia (Avé-Lallemant, 1980; Guimarães, 2001) constata-se que pouco se diz a respeito dos manguezais e sua utilização, tanto em Ilhéus como em outros municípios daquela região da Bahia. Mesmo os naturalista, a inferir-se pelo relato de Guimarães (2001), falam pouco sobre este ambiente. O naturalista alemão Maximiliano de Wied-Neuwied, um dos primeiros a registrar sua impressão sobre o sul da Bahia, por volta de 1815, destaca, em suas anotações sobre os costumes locais, o seguinte (Guimarães, 2001): "A vida é integrada por pequenas casas muito mal conservadas. As ruas, quase desertas, só apresentavam algum movimento aos domingos e dias de festas. O quadro de referência utilizado era a sociedade européia, em processo acentuado de urbanização e industrialização, porém com boa parte da população permanecendo pulverizada pelas grandes propriedades rurais de onde pouco se afastavam".

O referido naturalista nada destacava sobre a cultura do cacau e muito menos sobre o manguezal. Registra que o comércio com a cidade de Salvador era muito incipiente e à base de exportações de arroz e madeira, não sendo citado a exploração do mangue.

A ocupação do município de Ilhéus no século XVI esteve diretamente relacionada com a cultura do cacau. Atualmente, a cidade vem experimentando acentuada expansão urbana, resultado da migração da população rural frente à crise da lavoura cacaueira, e do desenvolvimento turístico e industrial. Assim, o adensamento populacional vem resultando na redução da qualidade ambiental do município. Nesse contexto, manguezais e estuários tem sido os ecossistemas mais comprometidos, pois muitas civilizações tiveram, e ainda mantêm, relação histórica com estes ecossistemas.

Conforme a Figura 2, o primeiro núcleo urbano da cidade de Ilhéus ocorreu em 1536, na baia do Pontal e Morro de São Sebastião, e desde então, devido a sua posição geográfica com influência marinha e de estuários, a vasta área de manguezal começou a ser ocupada para instalação de ruas e avenidas. Segundo Andrade (2003), a cidade apresenta cinco direções de crescimento e uma delas é através do aterro de manguezais, a exemplo do que ocorreu nos bairros da Cidade Nova, na Av. Itabuna e Av. Canavieiras durante o período de 1940 a 1960. Década após década, as áreas de manguezais vêm sendo utilizadas para instalação de bairros.

Entre 1960-70 a expansão urbana deu-se em direção ao Malhado, Princesa Izabel e Av. Esperança; de 1970-1980, segue ao norte pela Barra de Itaípe e Savóia (Figura 2). É interessante salientar que essas ocupações ocorreram mediante intervenção do poder público, em decorrência do rápido crescimento populacional, constituindo-se muitos desses bairros em locais privilegiados de moradia por população de classe média.

A partir da década de 1980 os manguezais vêm sendo aterrados, inicialmente por invasores e, posteriormente, consolidados pela Prefeitura, que instala alguns equipamentos urbanos necessários à formação de um bairro, como o Teotônio Vilela, rua da Palha e Vila Nazaré (Figura 2).

Verificou-se no histórico de ocupação destas áreas que, inicialmente, pescadores e catadores de mariscos fixavam-se no local buscando sobrevivência. Entretanto, com a expansão urbana desordenada e o alto fluxo migratório em direção a Ilhéus, após o estopim da crise da lavoura cacaueira, agravaram-se os problemas relacionados à aquisição da casa própria e ao alto custo dos aluguéis, levando a invasão e aterro das áreas de manguezais. 


Figura 2. Mapa da evolução urbana de Ilhéus.

Com a posterior regulamentação das áreas ocupadas pela Prefeitura Municipal, a pesca deixou de ser o motivo principal de atração de população para áreas de manguezais. O baixo preço de aluguéis e facilidade na aquisição da casa própria, além da vulnerabilidade para invasões, faz com que os manguezais se transformem em bairros periféricos povoados por população de baixa renda e baixo nível de escolaridade.

A regulamentação das áreas invadidas é um incentivo do poder público para a ocorrência de novas ocupações em áreas de preservação permanente. Como exemplo observa-se: o bairro de São Domingos invade a margem do Rio Almada, a faixa de domínio da rodovia BA – 001 e as áreas de preservação ambiental. Na Av. Esperança, Vila Nazaré e Teotônio Vilella a irregularidade é pelo fato da ocupação dar-se em área do município, invadindo as margens do Rio Itacanoeira e, na Av. Princesa Isabel, apesar de não possuir ocupação em terras do município, a invasão deu-se em área de proteção ambiental, margem do rio Itacanoeira (Figura 3).

A ocupação mais recente foi a do manguezal do loteamento São Domingos, ocorrido na década de 90, sendo, portanto, o que possui piores condições de moradia: caminhos de pedestres para circulação interna não pavimentada, abastecimento de água irregular, rede de esgoto deficiente e sem drenagem. As casas em sua maioria são de alvenaria pintada em estado ruim e casas de madeira. A área ocupada é 47.023,40 m2, com 34 domicílios e população de 121 pessoas.

Observou-se que mesmo nos bairros com ocupação mais antiga, como é o caso da Princesa Isabel, década de 40, a insatisfação da população quanto às condições de moradia é geral e isso reflete diretamente na relação que a população estabelece com o ecossistema. Declarações do tipo: “moramos aqui porque não tem jeito, quem vai ser feliz em um lugar com tanto fedor e mosquitos?” são comuns em todos os bairros visitados. 

Na Princesa Isabel, o transporte coletivo e o abastacimento de água são regulares, as vias são pavimentadas com asfalto, porém a rede de esgoto é insatisfatória e a drenagem da água em alguns trechos apesar de subterrânea, é deficiente. Esta precariedade no sistema de saneamento afeta diretamente a qualidade de vida da população, pois o mesmo ocorre em uma vala a céu aberto, lançando o esgoto diretamente no manguezal e este, juntamente com o rio Itacanoeira, constiuem-se no quintal das casas deste bairro. 

Figura 3. Fotografias aéreas dos bairros de Ilhéus instalados em manguezais:
A – Av. Princesa Isabel; B 
– Vila Nazaré; C – Teotônio Villela; D – Fundão; E – São Domingos.

3.2 Caracterização da população estudada

A população que ocupa os manguezais da área urbana de Ilhéus provém, na grande maioria, de processos migratórios (intra e extra municipal) decorrentes da crise da lavoura cacaueira.

A população com maior tempo de residência no bairro foi a da Avenida Princesa Isabel (superior a 10 anos) onde, 77,6% dos moradores sempre moraram naquele local e assim, o predomínio é de casas de alvenaria em bom estado de conservação. Apesar das péssimas condições de saneamento básico do bairro, os moradores investem em suas residências. Por outro lado, no Fundão, o predomínio é de moradores advindos de outras áreas da zona urbana do próprio município. Cerca de 89% dos entrevistados se deslocou de áreas vizinhas por estas não oferecerem boas condições de infra-estrutura. No Fundão, as melhores condições de infra-estrutura dizem respeito à pavimentação com asfalto, transporte coletivo regular e coleta de lixo periódica.

Na Vila Nazaré, São Domingos e Teotônio Vilella a grande maioria da população constitui-se em moradores oriundos de outras áreas da zona urbana e apenas na Vila Nazaré registrou-se um expressivo contingente (29,4%) da zona rural. Nesta comunidade, a vinda para a cidade justificou-se pela procura de empregos e esperança de melhores condições de vida.

Em todos esses bairros, os entrevistados afirmaram migrar para as áreas de manguezal aterradas pelas facilidades na aquisição de imóveis e o menor preço dos aluguéis, justificado pelo tipo de moradia, onde, por exemplo, no São Domingos, 63,8% das casas são de tábua, com precariedade no fornecimento de água potável e sistema de esgotos.

A totalidade dos entrevistados constituem-se em pessoas carentes que apresentam variação de renda mensal entre 1 a 1,5 salários mínimos. A principal atividade econômica desenvolvida é na economia informal, pois, os empregos declarados não têm regulamentação segundo a legislação trabalhista, predominando principalmente serviços domésticos, camelôs, atendimento em pequenos estabelecimentos comerciais e na construção civil. Na Avenida Princesa Isabel e Fundão é expressiva a população economicamente inativa, onde prevalece um alto número de aposentados e de desempregados.

Observou-se que a população, no início da ocupação da área, retirava do manguezal sua fonte de renda e hoje, os moradores de todos os bairros estudados declararam utilizar o ecossistema apenas como local de moradia, correspondendo a 67,3% dos entrevistados. A Vila Nazaré e o Teotônio Villela são os bairros que apresentaram um maior percentual de moradores que utilizam o manguezal para pesca e catação de marisco, apesar da poluição pelo despejo de lixo e esgoto. Na Vila Nazaré cerca de 41,2% e no Teotônio Villela 31,2%. O uso do manguezal para moradia predomina no São Domingos, Fundão e Princesa Isabel, com 77,3%, 88,5% e 98,3% respectivamente. 

Os moradores declararam que nos últimos anos está havendo uma diminuição gradativa na quantidade de pescados e mariscos, o que tem levado as famílias, que desde gerações passadas sustentavam-se da pesca, a mudar a sua fonte de renda, buscando assim outras alternativas. 

3.3 Problemas ambientais decorrentes da ocupação urbana no manguezal

A totalidade dos moradores declarou serem atendidos por serviços de água encanada e energia elétrica, mas o observado, principalmente no Teotônio Villela, é que muitas residências apresentavam ligação irregular de energia elétrica e alguns moradores utilizam água de fontes, sem atentar para a contaminação do lençol freático pela proximidade destas fontes com as fossas sanitárias.

A coleta de lixo em todos os bairros é diária sendo feita pela prefeitura municipal, mas um elevado volume de lixo é encontrado nos manguezais de todos os bairros, o que os moradores alegam ser trazido pela maré. Apenas no São Domingos observou-se um menor aporte de lixo, decorrente de campanhas realizadas pela associação de moradores para limpeza da área.

Quanto à distribuição de rede de esgoto, o problema é mais sério. Na Avenida Princesa Isabel e no Fundão, cerca 86,2% e 65,4% das casas, respectivamente, despejam seus efluentes diretamente no manguezal, pois a junção destas casas ao sistema de esgotamento sanitário requer um elevado custo, porque grande parte das mesmas foi construída abaixo do nível da rua, sendo necessário o aterro do terreno e em muitos casos, seria necessária a demolição das residências para regularização.

Segundo Faria Filho & Araújo (2003), em 1944 Ilhéus possuía 1.169 ha de manguezal e em 2002 essa área sofreu um decréscimo de 4,48%, passando para 1.116 ha. Portanto em 58 anos de expansão urbana, apenas 52 ha foram aterrados para instalação de bairros, o que não justifica a intensa degradação dos manguezais com conseqüente diminuição da população de peixes, caranguejos e crustáceos.

Observando-se a localização desses ecossistemas percebe-se que, no município de Ilhéus, os mesmos são formados nos estuários de duas bacias hidrográficas bastante povoadas e com intensivo uso agrícola dos solos, que são a bacia do rio Almada e do rio Cachoeira. A primeira abrange 07 municípios e a segunda 11. Destes, apenas Ilhéus e Itabuna apresentam alguns bairros com sistema de tratamento de esgoto, enquanto os demais municípios lançam seus efluentes domésticos, hospitalares e industriais, “in natura”, na rede de drenagem o que vem contaminando progressivamente os manguezais de Ilhéus.

Isso explica o número cada vez menor de moradores que utilizam o manguezal como meio de sobrevivência. Além disso, em entrevistas realizadas com comerciantes e catadores de caranguejo constatou-se que, as feiras livres e as barracas de praia, são abastecidas com caranguejos e mariscos vindos de outros municípios como Canavieiras, Pedras de Una (distrito de Una) e Nova Viçosa. Assim, Ilhéus, apesar de possuir área de 1.116 ha de manguezais não utiliza esse ecossitema como fornecedor de bens e serviços, o que poderia gerar renda para a população de baixo poder aquisitivo e fomentar a comercialização dos mariscos.

3.4 Consciência ambiental e necessidade de preservação

Aproximadamente 96% dos entrevistados acham importante a preservação do manguezal, e reconhecem o seu valor ecológico. No entanto, a consciência ambiental dos moradores restringe-se a concepção do ecossistema como fonte de alimento e assim, a necessidade de preservá-lo, é justificada para manutenção de peixes e mariscos. Funções outras tais como, berçário natural, filtro biológico natural, retenção de metais pesados, alternativas eco-turísticas, manutenção dos aspectos tradicionais e culturais das populações (Fidelman, 2002; Ramos, 2002) não foram mencionadas.

Os principais impactos ambientais registrados nos manguezais da área urbana de Ilhéus em decorrência da ação antrópica foram: aterramento para dar lugar a portos, estradas, agricultura, ocupações urbanas e industriais; derramamento de petróleo; lançamento de efluentes industriais e domésticos, agrotóxicos e resíduos sólidos (lixões); pesca predatória e captura de espécies em época de reprodução levando a diminuição do número de caranguejos e peixes. Resultados similares foram encontrados por Fidelman (2001), Ramos (2002), Gomes (2002) e Moreau et al. (2003) em estudos referentes a manguezais do município de Ilhéus.

Quanto às conseqüências da degradação ambiental, os moradores dos bairros estudados apenas identificaram que o lançamento de lixo e esgoto diretamente no manguezal poderia causar, no futuro, doenças e ser a causa atual da diminuição no número de peixes, caranguejo e mariscos. Apesar desse registro, apenas no São Domingos o presidente da associação de moradores declarou realizar periodicamente multirões para limpeza da área, mas os entrevistados das demais bairros não citaram nenhuma medida preventiva para evitar a degradação ambiental.

Ficou clara a acomodação por parte da população que habita estas áreas quanto a necessidade de preservar o ecossistema e a adoção de medidas com tais finalidades. Essa apatia contradiz o que afirma Bernardes & Ferreira (2003), que a intuição e a consciência individual também são fatores importantes para atingir o equilíbrio ecológico, cabendo a cada indivíduo mudar de atitudes, valores e estilos de vida, devendo assim partir de cada indivíduo, de cada comunidade a busca por alternativas de sustento e manejo da área para manter a preservação.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

De acordo com os resultados obtidos, a ocupação das áreas na sua maioria, deu-se por invasão ou aquisição de imóveis pelo baixo valor no mercado. A população dos bairros estudados apresenta baixa renda e baixa escolaridade. Em todos os bairros estudados os efluentes domésticos são despejados no manguezal.

Os moradores que utilizam o mangue para pesca estão buscando outras fontes de renda, já que está ocorrendo uma diminuição de mariscos e crustáceos, e, segundo os moradores, os marisqueiros e pescadores respeitam a época de reprodução de peixes e mariscos.

Os impactos ambientais decorrentes da expansão urbana devem-se a falta de planejamento, pois o manguezal constitui-se em um ecossistema prioritariamente não habitável, que para tal fim são aterrados e desmatados por população de baixa renda, sem conclusão da educação básica, portanto com níveis precários de informações referentes à preservação ambiental. Este conjunto de fatores aliado a poluição dos rios por municípios à montante da bacia do Almada e Cachoeira, tem causado, aos manguezais de Ilhéus, contaminação pelo despejo de lixo, efluentes (domésticos, industriais e hospitalares) levando a uma gradativa e crescente extinção de espécies de peixes, crustáceos e mariscos.

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domingo, 29 de junho de 2014

O TRISTE DESTINO DA BAÍA DO PONTAL


FRAGILIDADE AMBIENTAL E AÇÃO ANTRÓPICA NO ENTORNO BAÍA DO  PONTAL (ILHÉUS - BAHIA - BRASIL) 


RESUMO

O objetivo deste trabalho é fazer uma relação entre o processo de ocupação e urbanização do entorno da baía do Pontal (dando ênfase ao bairro do Pontal) e o agravamento da fragilidade ambiental da área. Para tal realizou-se uma pesquisa bibliográfica, onde se levantou informações referentes ao quadro natural do município; e o histórico de ocupação da área e suas principais características socioeconômicas. Também se realizou uma pesquisa de campo para a aplicação de 64 formulários de forma não-probabilistica e aleatória, objetivando verificar como os moradores percebem as transformações na paisagem. Verificou-se que a área é ocupada desde 1536, ano de fundação da capitania de São Jorge dos Ilhéus, e que a partir de 1817, todas as margens da baía já sofriam a ação antrópica. Detectou-se que as atividades econômicas alteraram a morfodinâmica da sedimentação na baía. A primeira grande alteração deu-se com a implantação da lavoura cacaueira nas margens dos rios Cachoeira, Santana e Itacanoeira/Fundão que levou a um intenso desmatamento das margens aumentando conseqüentemente a demanda de sedimentos para a baía, ocasionando o seu assoreamento. Com a diminuição da profundidade da baía, os navios não conseguiam atracar no Porto, o que levou sua transferência para a enseada das Trincheiras em 1959. A construção do Porto do Malhado alterou a deriva litorânea da costa, formando um banco de areia na barra da Baía, erodindo o litoral norte a partir do bairro do Malhado, e depositou areia frente à Avenida Soares Lopes até a entrada da Baía do Pontal. Durante a segunda metade do século XX, a urbanização da área para consolidar a ocupação da área e mais recentemente para a atender as demandas do turismo na cidade vêm transformando a paisagem da área. A fragilidade ambiental da Baía do Pontal está sendo agravada em decorrência da ação antrópica. Inicialmente a lavoura cacaueira nas margens dos rios Cachoeira, Santana e Itacanoeira/Fundão, e posteriormente a mudança na deriva dos sedimentos costeiros em decorrência da construção do Porto do Malhado, alteraram a morfogênese da Baía, ocasionando uma diminuição das cotas batimétricas, prejudicando a qualidade da água, o desaparecimento da praia do Pontal e quase destruição da orla pelo mar. Faz-se necessário à execução de um plano diretor efetivo e voltado para as características naturais e culturais da cidade e do bairro, dando melhores condições urbanas aos seus moradores e investindo no setor turístico.

Palavras-chave: Litoral; ação antrópica; fragilidade ambiental.

INTRODUÇÃO 

A exploração dos elementos naturais pelas sociedades visam o lucro fácil, sem preocupações com as gerações futuras. O ideal seria que as sociedades buscassem manter estratégias de convivência pacífica com a natureza, buscando desempenhar uma relação desenvolvimento sustentável, na utilização dos recursos naturais na construção dos espaços geográficos (VIVAS et al 2004).

O povoamento do litoral brasileiro data do século XVI, onde a construção das vilas e sedes das capitanias deu-se exclusivamente na orla. A apropriação das áreas costeiras no Sul da Bahia tem causado ao modelado costeiro como as baías, tômbulos, cordões litorâneos e falésias inúmeros problemas ambientais. A fragilidade ambiental natural desses modelados agrava-se com o adensamento da população decorrente da expansão urbana desordenada, uso da terra inadequado e implementação da atividade turística.

A morfogênese dos modelados costeiros não tem apenas como agente a ação das ondas, correntes e marés. A dinâmica dos agentes exógenos do relevo no interior do continente também influencia na dinâmica destas feições. Um exemplo da interação continente x litoral está relacionado ao transporte de sedimentos, principalmente em rios que desembocam em baías, o aumento do aporte de sedimentos pode ocasionar ao assoreamento da baía.

O objetivo proposto neste trabalho é fazer uma relação entre o processo de ocupação e urbanização da baía do Pontal (dando ênfase ao bairro do Pontal) e o agravamento da fragilidade ambiental da área.

MATERIAS E MÉTODOS 

Caracterização da Área de Estudo

O município de Ilhéus está localizado no litoral Sul do Estado da Bahia, nas coordenadas 14°47’55’’ de latitude Sul e 39°02’01’’ de longitude Oeste, e faz parte da microrregião Ilhéus – Itabuna, de acordo com a nova divisão regional da Bahia elaborada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) em 1990, substituindo a designação de microrregião cacaueira. A BAHIATURSA apud EMBRATUR (1996) denominou este setor do litoral baiano de Costa do Cacau (Figura 01).


O clima da região é classificado como tropical quente e úmido sem estação seca, semelhante ao clima da Amazônia, em seus valores médios anuais (ANDRADE, 2003). O litoral do município está situado no domínio dos ventos alísios do nordeste. A média das temperaturas máximas é superior a 24°C e a média das mínimas é de 21°C. os meses mais quentes é de novembro a março, e os meses mais frios são julho e agosto (HEINE, 2001). 

A vegetação na região de Ilhéus é condicionada pelas características climáticas, topográficas, geológicas e pedológicas, e se constitui em: vegetação higrófila (Mata Atlântica) possuindo extrato arbustivo denso, latifoliada, sempre verde; e vegetação litorânea que ocupa a planície costeira sendo do tipo edáfica, a exemplo dos manguezais que vivem em condições salobras, e das restingas que se desenvolvem sobre os depósitos arenosos quaternários (GOUVÊA, 1976). 

O regime de maré na região costeira de Ilhéus é do tipo mesomaré, com características semidiurna (dois ciclos de maré vazante e de maré enchente durante 24 horas), que segundo os dados da estação maregráfica situada no Porto do Malhado apresentam marés de sizígia com altura máxima de 2,3m e mínima de -0,1 (DHN, 2004). 

A litologia da área urbana de Ilhéus segundo BRASIL (1980) e NETTO & SANCHES (1991) é composta por rochas ígneas e metamórficas de formação antiga (datadas do Proterozóico) e rochas sedimentares consolidadas e não-consolidadas como areia e argila de origem marinha e fluvial, datadas do Cenozóico.

A Baía do Pontal é uma reentrância formada a partir da confluência dos rios Cachoeira, Santana e Fundão, constituindo-se como um ambiente de influência flúvio–marinha em função do aporte de água doce desses rios e da água salgada do Oceano Atlântico. Esta se limita ao norte com a Avenida Dois de Julho (localizada no centro de Ilhéus); ao sul com a Avenida Lomanto Júnior que faz parte do bairro Pontal; a oeste com a Ilha do Frade e a foz dos rios Cachoeira, Itacanoeira e Santana por fim a leste com o Morro de Pernambuco e Oceano Atlântico. 

 Procedimentos Metodológicos

Para atender os objetivos propostos neste trabalho realizou-se uma pesquisa bibliográfica, onde se levantou informações referentes ao quadro natural do município (dando ênfase aos aspectos morfogenéticos da configuração da baía do Pontal); ao histórico de ocupação da área e suas principais características socioeconômicas. Também se realizou uma pesquisa de campo para a aplicação de 64 formulários de forma não-probabilistica e aleatória, objetivando verificar como os moradores percebem as transformações na paisagem.


PROCESSO DE OCUPAÇÃO DA ÁREA DO ENTORNO 
DA BAÍA DO PONTAL 

A ocupação do município de Ilhéus no século XVI, tendo as áreas próximas ao Oceano priorizadas para a implementação da sede da Capitania. Conforme a Figura 02, o primeiro núcleo urbano da cidade de Ilhéus ocorreu em 1536, na baia do Pontal e Morro de São Sebastião, e desde então, devido a sua posição geográfica as áreas adjacentes foram posteriormente ocupadas devido à necessidade de expansão da área urbana. Em 1817, fundou-se uma vila de pescadores no lado sul da Baía do Pontal (ANDRADE, 2003). 




Os primeiros moradores da vila eram pessoas muito humildes, habitando em barracos feitos quase sempre de barro (taipa, tipo sapé) e tinham sua fonte de sustento centrada na pesca. Havia em muitas casas cacimbas que forneciam água para o uso geral. A água potável era extraída da fazenda do Sr. Terto Moura ou da bica do Morro de Pernambuco. Esta era vendida de casa em casa no lombo dos burros. 

Durante a década de 40, a população da zona sul de Ilhéus crescia em decorrência da excelente fase da cultura cacaueira. A ligação entre a zona sul e a área central do município (situada a norte da baía) dava-se através da travessia realizada por canoas e barcos. Em 1966, foi construída a Ponte Lomanto Júnior ligando o Bairro Pontal e suas adjacências ao centro da cidade (ANDRADE, 2003). 

A construção da Ponte Lomanto Júnior levou a ampliação na parte sul da Baía do Pontal. Em meados da década de 70 surgiram loteamentos como a Sapetinga e o Jardim Pontal, e outras áreas privilegiadas no norte do Pontal. A população de baixa renda foi concentrada na Nova Brasília, rua Barão do Rio Branco e áreas após o aeroporto (mais ao sul do Pontal).

Durante os anos 80, a crise da lavoura cacaueira ocasionou um êxodo rural intenso em toda a microrregião cacaueira. As cidades com maior infra-estrutura urbana (Ilhéus e Itabuna) receberam um grande contingente de imigrantes acentuando a expansão urbana dessas cidades. A principal conseqüência desse crescimento urbano foi o surgimento de novos bairros a sul da Baía do Pontal, que segundo a sua origem podem ser divididos em três categorias: 

• Bairros planejados, estes objetivando abrigar a classe média como a Urbis I e II (hoje denominado Hernani Sá), o Santo Antônio de Pádua, Gabriela, e o Ceplus; 

• Bairros Periféricos, proveniente de invasões, tendo como conseqüência a ausência de planejamento como o Nelson Costa, o Nossa Senhora da Vitória e Rua da Palha; 

• Os condomínios de luxo à beira mar, como é o caso do Jardim Atlântico. 

Já Nova Brasília, antiga área periférica, foi incorporada como uma continuação do Pontal, concentrando uma população de baixa renda. Em 1997, a Prefeitura Municipal de Ilhéus inaugurou na área a Praça e a sede do Campus da Universidade Livre do Mar e da Mata (Maramata), O objetivo na implementação da Maramata é proporcionar o debate público sobre os problemas ambientais de Ilhéus, e valorizar a cultura das populações com o mar e a mata.

É possível encontrar no Bairro do Pontal toda uma estrutura que vai se abrindo para as demandas turísticas. Nesse sentido é importante destacar o fato de não ter sido projetado desde a sua fundação para este fim, precisando, pois se adaptar para melhor escolher e mesmo para movimentar sua economia.

A poluição das águas da Baía do Pontal, devido aos despejos de esgotos domésticos e industriais provenientes de Ilhéus e de cidades situadas na Bacia do Rio Cachoeira, afasta os visitantes e usuários. A poluição visual de alguns morros do entorno, resultado da ocupação desordenada, é outro agravante para o turismo. Estes fatos comprometem, assim, o desenvolvimento da região. 

CONSEQÜENCIAS DA ANTROPIZAÇÃO NA FRAGILIDADE AMBIENTAL DA BAÍA DO PONTAL 

A área de estudo sofre as conseqüências de um antigo processo de antropização. Durante as duas primeiras fases da lavoura cacaueira, a exportação do cacau dava-se através do porto instalado na baía do Pontal (ANDRADE, 2003).

O intenso desmatamento no interior ocasionou a erosão das margens dos rios Cachoeira, Itacanoeira/Fundão e Santana que aumentaram a demanda de sedimentos para a baía, ocasionando o seu assoreamento. Com a diminuição da profundidade da baía, os navios não conseguiam atracar no Porto. A transferência do Porto da Baía para a enseada das Trincheiras em 1959 acentuou os efeitos transformadores na Baía do Pontal.

Segundo ANDRADE (2003, p. 17): "A existência de um banco de areia na enseada da Baía se deve à construção do Porto do Malhado (nome inicial) que, ao tempo que destruiu o litoral norte a partir do bairro do Malhado, foi depositado areia frente à Avenida Soares Lopes até a entrada da Baía do Pontal. Em razão dessa deposição, a Baía pode ser considerada uma lagoa costeira uma vez que o banco de areia está sendo consolidado pela vegetação que ora se expande fixando-o, ficando acima da maré alta."

No entanto o local ainda apresenta características de um ambiente de baía, pois a comunicação deste com o mar, apesar de diminuir não deixou de ocorrer, devido o volume de água despejado pelos rios que deságuam do mar. O período de maior vazão desses rios é no verão quando há uma maior intensificação da radiação solar, provocando maiores índices de pluviosidade (SILVA, 2001).

O fenômeno de refração das ondas ao se aproximarem do litoral, provocado pelo Morro de Pernambuco influi diretamente no processo de deriva litorânea, fazendo com que o contato da água das ondas com o relevo continental forme ângulo inferior a 90º, então os sedimentos são carreados pelas correntes para a entrada da Baía e em direção ao Porto onde são barrados pela presença deste. O regime da Baía está mudando rapidamente de marítimo para fluvial, pois o trabalho erosivo do mar foi interrompido com a construção do porto, fazendo com que os sedimentos trazidos pelo próprio oceano e pelos rios (Itacanoeira ou Fundão, Santana e Cachoeira) não sejam transportados. A formação dos bancos de areia é inevitável. Esse processo poderá teoricamente favorecer a diminuição gradativa dos níveis de salinidade da água, podendo causar profundas transformações não só na vegetação típica, mas também na fauna (op. cit.).

As praias dispersivas que existiam na Baía do Pontal, pouco a pouco foram tendo suas faces cobertas pelas águas devido ao avança da água do mar. Em um segundo momento esta situação acaba por provocar a aceleração do assoreamento da baía. A velocidade e a turbulência nas águas estão intimamente relacionadas com o trabalho marítimo, ou seja, a erosão, o transporte e a deposição de detritos dependem da ação do mar. Já que a influência deste tem diminuído com as transformações antrópicas, as partículas de menor granulometria como as argilas precipitam-se e acomodam-se no fundo da baía. A diminuição dos níveis batimétricos já mostra suas conseqüências, uma delas é a vegetação típica de mangue que se desenvolve em alguns locais onde antes não existia. Esse processo torna mais grave devido o regime da maré que é mesotidal, isto é, o desnível entre a maré alta e a maré baixa na Baía apresenta-se em torno de 2 metros, o que não contribui para uma ação mais intensa do mar no local (SILVA, 2001).

Dentro desse contexto, é importante o conhecimento dos processos dinâmicos que vem a morfologia da Baía do Pontal, com o intuito de possibilitar uma melhor compreensão dessas transformações e obter dados sobre a maneira como o processo poderá evoluir. PEREIRA apud SILVA (2001), comenta que, na erosão costeira se destinguem causas naturais e antrópicas. As naturais associam-se com a diminuição na quantidade de sedimentos transportados pelos rios, a lenta elevação do nível do mar e o possível aumento do poder de destruição das ondas. No caso da Baía, as causas antrópicas, ou seja, a construção do Porto de Ilhéus na enseada do Malhado e a degradação nas bacias dos rios tributários são os responsáveis pela intensificação do assoreamento na Baía.

TRANSFORMAÇÕES NA PAISAGEM DA 
BAÍA DO PONTAL E DO SEU ENTORNO 

Para MATEO RODRIGUEZ; SILVA & CAVALCANTI (2002) paisagem pode ser definida um sistema territorial composto por elementos naturais e antropotecnogênicos condicionados socialmente, que modificam ou transformam as propriedades das paisagens naturais originais. De tal maneira, classifica-se as paisagens em naturais, antropo-naturais e antrópicas (também conhecidas como paisagens atuais ou contemporâneas).

A antiga ocupação, a utilização da baía como sede do Porto da cidade, e sua posterior mudança para a enseada das Trincheiras, somadas ao adensamento populacional na área tem acelerado as transformações da paisagem na área.

Assim como os demais bairros Ilheenses, o Pontal, apesar de sua beleza natural, está deteriorando-se com o descaso público e com a falta de investimentos na limpeza das ruas e praias acelerando o processo de degradação deste ambiente, além da crescente onda de assaltos e roubos que afastam os turistas da região. Um importante contraposto a ser observado é que, mesmo com esses problemas, o Bairro do Pontal ainda é um dos mais visitados em Ilhéus, devidos aos seus atrativos turísticos, naturais e culturais como a Avenida Lomanto Junior, onde se localiza a Enseada do Pontal, a Praia da Concha, o Morro de Pernambuco e outras praias.

O bairro Pontal, hoje, urbanizado, apresenta acesso fácil para todas as áreas da cidade, dando garantia as pessoas de andarem a pé e circularem nos seus carros. Também concentra boas escolas, pontos comerciais, postos de saúde, áreas de lazer, aeroporto, deixando de ser o bairro de ocupação da classe média baixa. As casas pequenas, simples, estão sendo substituídas por residências de luxo ou condomínios fechados, como no Jardim Pontal e no Jardim Atlântico. 

Essas regras geralmente são de bairros residenciais e podem ser transpostas aos casos de zonas de atividades ou de conjuntos turísticos. O importante é buscar o meio de conciliar adequadamente os objetivos de ordem urbanística, os interesses dos empreendedores e o desejo dos arquitetos envolvidos. 

Segundo os entrevistados há um descaso do poder público com o bairro e seus moradores em ações para melhorar a estrutura urbana do bairro, principalmente nas áreas mais internas ocupadas por uma população de baixa renda. Para 45% dos entrevistados o saneamento do bairro é considerado péssimo, já que o esgotamento sanitário existente é por meio de fossas.

Para 56% os entrevistados, o Morro de Pernambuco sofreu alterações naturais ao longo dos anos. Estes destacaram principalmente o acréscimo de areia na Praia local e a poluição das águas, que apresentam cor turva, grande quantidade de lixo e odor desagradável (proveniente da alta quantidade de matéria orgânica que se decompõe na Baía). Outros 31% dos entrevistados declaram não saber, pois apresentam pouco tempo de residência no Bairro (Figura 03). 

Perguntou-se aos entrevistados se a construção do Porto do Malhado ocasionou alterações na enseada do Pontal. Para 50% dos entrevistados, a construção do porto foi o grande agente de transformações na Baía do Pontal, principalmente porque ocorreu o desaparecimento da antiga Praia do Pontal (a sul da Baía) e o acréscimo de areia na Praia do Cristo (a norte da Baía). Cerca de 39% dos entrevistados afirmaram que a construção do Porto afetou um pouco, pois acreditam que a implantação de sistemas de engenharia não são capazes de alterar a dinâmica natural. 

Outra questão feita aos entrevistados refere-se ao grau de transformação da paisagem natural promovidos pela expansão urbana. Para 27% a paisagem natural foi muito transformada e para 57% foi pouco alterada. Dentre as alterações apontadas pelos entrevistados estão a retirada da vegetação natural para a construção de Hotéis e condomínios de luxo; o deslocamento das comunidades tradicionais, principalmente os pescadores para outras áreas; a implementação de sistemas de engenharia mudam as características e a organização espacial e temporal no bairro, como a pavimentação da orla e de estradas que facilitaram o acesso às praias do sul e deram ritmo acelerado ao bairro (Figura 04). 


Os principais problemas de infra-estrutura da área segundo os entrevistados estão ligadas à falta de preocupação das gestões municipais em atraírem turistas pode ser notada no abandono da limpeza pública principalmente na orla do Pontal, onde os únicos atrativos são os empreendimentos privados como bares e restaurantes.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

O bairro do Pontal em Ilhéus constituía-se de uma colônia de pescadores e com algumas casas para veraneio dos produtores de cacau. Nas últimas décadas do século XX, a expansão do turismo em Ilhéus fez com que a área urbana da cidade e principalmente ao entorno da Baía do Pontal, fosse dotada de equipamentos. Muitos desses equipamentos de origem pública ou privada favoreceram a ocupação e expansão do bairro, como as vias de acesso. 

A fragilidade ambiental da Baía do Pontal está sendo agravada em decorrência da ação antrópica. Inicialmente a lavoura cacaueira nas margens dos rios Cachoeira, Santana e Itacanoeira/Fundão, e posteriormente a mudança na deriva dos sedimentos costeiros em decorrência da construção do Porto do Malhado, alteraram a morfogênese da Baía, ocasionando uma diminuição das cotas batimétricas, prejudicando a qualidade da água, o desaparecimento da praia do Pontal e quase destruição da orla pelo mar.

O bairro do Pontal sofreu um grande adensamento em sua área urbana, pelo fato de ter tido sua expansão limitada pelo aeroporto. Esse adensamento associado à falta de novas áreas, faz crescer no bairro o numero de construções com mais de 2 pavimentos, condomínios, tendenciando, principalmente na orla a uma pequena verticalização. 

Faz-se necessário à execução de um plano diretor efetivo e voltado para as características naturais e culturais da cidade e do bairro, dando melhores condições urbanas aos seus moradores e investindo no setor turístico.


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

AMORIM, R. R. Chaves de identificação de ambientes com ênfase nos aspectos pedogeomorfológicos para o município de Ilhéus: uma ferramenta ao ensino da Geografia. 2006. 43p. (Monografia). Universidade Estadual de Santa Cruz, Ilhéus-BA. 2006.

ANDRADE, M. P. Ilhéus: passado e presente. Ilhéus: Editus, 2003. 143p.

APOLUCENO, D. M. A Influência do Porto de Ilhéus – BA. 1998. 132 p. Dissertação (Mestrado em Geologia). Universidade Federal da Bahia, Salvador-BA. 1998.

BRASIL. Projeto Radam Brasil. Folha SD. 24 Salvador: geologia, geomorfologia, pedologia, vegetação e uso e potencial da terra. Rio de Janeiro, 1980. 624p.

DHN. Diretoria de Hidrografia e Navegação. Tábuas de marés. Marinha do Brasil. Disponível em: <http://www.dhn.mar.mil.br/>. Acesso em: 07 nov. 2004.

EMBRATUR. Política Nacional de Turismo. Diretrizes e programas – 1996 /1999. Brasília, 1996.

GOUVÊA, J. B. S. Recursos florestais. Rio de Janeiro: Cartográfica Cruzeiro do Sul, 1976. p.246.(Diagnóstico sócio-econômico da região cacaueira).

HEINE, M. L. História de Ilhéus. Ilhéus: Fundação Cultural de Ilhéus – FUNDACI, 2001.

INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA (IBGE). Cadastro de 
Cidades ou vilas do Brasil em 1999.

MATEO RODRIGUEZ, J. M.; SILVA, E. V.; CAVALCANTI, A. P. B. Geoecologia da paisagem: uma visão geossistêmica da análise ambiental. Fortaleza: EDUFC, 2002.

NETTO, A. S. T.; SANCHES, C. P. Roteiro geológico da bacia do Almada, Bahia. Revista Brasileira de Geociências. n. 21, v. 2, 1991. 186-198 p.

SILVA, E. B. Processo de assoreamento da Baía do Pontal: causas e conseqüências. 2001. (Monografia). Universidade Estadual de Santa Cruz, Ilhéus-BA. 2001.

VIVAS, P. V. et al. Caracterização física e sócio-econômica dos municípios ao entorno da península de Maraú-Bahia. In: V Simpósio Nacional de Geomorfologia e I Encontro Sul-Americano de Geomorfologia: Anais. Santa Maria: UFSM, 2004. 

quarta-feira, 25 de junho de 2014

“1 LITRO DE ÓLEO CONTAMINA 1 MILHÃO DE LITROS DE ÁGUA”


Essa é a mensagem da Fundação SOS Mata Atlântica para alertar sobre a importância de reciclar o óleo de cozinha. 


“Não jogue restos de azeite ou óleo de cozinha pelo ralo da pia. Os resíduos são descartados no esgoto e desequilibram o meio ambiente”, informa a campanha da fundação. 


O óleo usado em casa pode ser armazenado em garrafas PET e entregue a uma empresa de reciclagem, onde será transformado em sabão, detergente e até biodiesel. O material é recolhido em postos de coleta.


Para saber mais e encontrar o posto de coleta mais próximo, acesse a página da campanha Óleo Sustentável.



Fonte: Blog do Gusmão.

domingo, 22 de junho de 2014

DESMATAMENTO PARA PLANTAÇÃO DE EUCALIPTO


Os Movimentos Sociais, compostos por, MST, MPA, CETA, MTD, CAQ-TVC, ocuparam na madrugada desse último sábado, dia 17, a fazenda localizada próxima às nascentes do Rio Água Preta, no município de Encruzilhada, pertencente a Kalé Resende e seus filhos, e que vem realizando indiscriminadamente desmatamento da vegetação, da mata-de-cipó, para o plantio de eucalipto numa área declarada de 400 hectares.
Os Movimentos denunciam os crimes ambientais, e os impactos sociais negativos produzidos por essa monocultura, que já ocupa mais de 20% de todo o território do Município de Encruzilhada.
Em ato público e pacífico realizado na manhã do sábado, os Movimentos distribuíram 02 mil panfletos alertando a população para o risco de extinção das nascentes do Rio Água Preta. Em decorrência da invasão dessa monocultura, que já ocupa mais de 80 mil hectares plantados na região sudoeste do estado, as águas e solos vêm sendo envenenadas com glifosato e Sulfluramida, que são altamente tóxicos e cancerígenos.
Como alternativa a este modelo danoso de desenvolvimento, os movimentos defendem uma agropecuária sem o uso de recursos químicos, pautadas nos princípios da agroecologia, que preservam o meio ambiente e produzem alimentos livres de venenos e agrotóxicos.



Fonte: Blog Políticos do Sul da Bahia.




segunda-feira, 9 de junho de 2014

EUCALIPTO: O REFLORESTAMENTO DO CAPITAL FINANCEIRO


O título desta postagem é o mesmo de uma matéria veiculada no site A Nova Democracia. Na época, a S.O.S. Mangues e Vidas Aquáticas estava com sete meses de fundada. 

Com a mesma idade da nossa ONG, a denúncia do referido site não pode entrar no esquecimento, tendo em vista a atualidade dos problemas que ela apresenta. Assim sendo, segue abaixo a matéria na íntegra.

A cultura do eucalipto representa uma fonte de energia 87% mais barata que a de combustíveis fósseis, por outro lado, é devastadora: reduz a biodiversidade, afeta os lençóis freáticos, altera a qualidade do solo e destrói a capacidade futura de produção de alimentos. 


Em 30/05/2003 a Aracruz Celulose S.A., adquiriu a Riocell, localizada no município de Guaíba/RS, por U$ 610,5 milhões. Em 03/06/2003 o Jornal do Commercio noticiava: "A Aracruz agora é líder mundial no mercado de celulose, com produção estimada em 2,4 milhões de toneladas — e pretensão de aumento, nos próximos dois anos e meio, em 50%. Para isso, há o projeto de inauguração, em 2005, da fábrica da Veracel, no Sul da Bahia", da qual a Aracruz possui 50% das ações. Os outros 50% são da empresa finlandesa Stora Enso.
Em 2001 era divulgado que a Aracruz produzia 1,3 milhões de toneladas de polpa de celulose por ano, das quais 95% destinam-se à exportação. E o passivo ambiental gerado por esta empresa? Ficam 100% em nosso território, claro.
Em março deste ano, outra empresa de celulose, a Fábrica de Papel Cataguazes, causou o maior impacto ambiental de que se tem notícia no Brasil, com o rompimento de um dos tanques onde estavam armazenados 1,2 milhões de litros de seu passivo ambiental, contaminando o Rio Pomba e o Rio Paraíba do Sul. Este acidente deixou em colapso seis municípios fluminenses, sem trabalho 6.920 pescadores e catadores de caranguejos, causando um rastro de devastação por onde seu resíduo tóxico passou.

O EUCALIPTO NO BRASIL

Agora, é necessário descortinar o conhecimento sobre a introdução do eucalipto em território brasileiro e analisar os verdadeiros ganhos econômicos.
O eucalipto, espécie exótica originária da Austrália, possui 600 espécies, e pode alcançar 50 metros de altura. Pode ser plantado tanto à beira-mar, quanto a 4.000 metros de altitude, sob temperaturas que variam de 35°C a -18°C.
Em 1770 esta espécie foi introduzida na Europa. Àquela época havia a crença de que possuía poder milagroso quanto à malária e outras doenças.
Já em 1825 no Brasil, as primeiras mudas foram plantadas e cultivadas no Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Em 1882, foi considerado o causador da febre amarela e, literalmente, arrancado pela população de Vassouras/RJ. O cultivo destinava-se à produção de lenha para locomotivas, dormentes para ferrovias, postes para eletrificação, matéria-prima para produção de celulose e produção de carvão vegetal.
Em 1903 foi iniciado o cultivo em larga escala pela Companhia Paulista de Estrada de Ferro em seu primeiro Horto Florestal, Jundiaí/SP, pelo silvicultor Edmundo Navarro de Andrade. A espécie cultivada era a eucalyptus globulus, com sementes trazidas de Portugal.
Em 1918 Octavio Vecchi e Edmundo Navarro de Andrade, escreveram o livro Os eucaliptos: sua cultura e exploração (Typ. Brazil, SP), no qual afirmavam: "Dificilmente se encontrará uma planta que possa ser tão completamente usada. (...) Contudo, diante da falta de chuvas, as raízes dos eucaliptos abriam verdadeiros drenos para retirar do terreno grande quantidade de água, devido ao extraordinário poder de absorção pelas raízes e à enorme evaporação pelas folhas."

CONSEQUÊNCIAS "EUCALÍPTICAS"

De 1909 a 1966, a cultura se expandiu e surgiu a Lei de Incentivos Fiscais ao Reflorestamento nº 5.106, de 1966, que permitia ao agricultor aplicar 50% do Imposto de Renda, em reflorestação.
O IBDF (Instituto Brasileiro de Desenvolvimento Florestal), incapaz de definir e testar as essências florestais de maior conveniência para o reflorestamento brasileiro, foi "induzido" pelos interesses da iniciativa privada em obter o retorno de seu investimento em curto prazo, através do reflorestamento com o plantio do Pinus Elliotti, pinheiro americano, e o Taeda, pinheiro brasileiro, nos Estados do Sul, enquanto que, em Minas Gerais, Espírito Santo e Rio de Janeiro, a preferência recaía no eucalipto — ainda que sob cerradas críticas e indicações de técnicos especialistas de que o cedro, o mogno e o jacarandá, devidamente tratados por radioisótopos, alcançariam um acelerado processo de crescimento e formação com valor de mercado internacional, por serem madeiras de grande demanda. A média de árvores abatidas já era de centenas de milhares por ano, e não havia um plano para se cobrir o saldo negativo deixado pelo corte das reservas naturais.
Em poucos anos, a produção madeireira alcançou níveis incalculáveis, ao mesmo tempo em que ocorria a instalação, em números crescentes, de fábricas de pasta mecânica de celulose e papel no Brasil. Nesta época, já haviam sido plantados em nosso território, 470 mil hectares de eucalipto, 80% desse total no Estado de São Paulo.
Em 1973, o ano em que a FAO (Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação) obteve os dados para a elaboração do clássico Eucalypt for Planting (FAO, 1981), a área total plantada de eucalipto no país tinha ultrapassado a cifra de 1 milhão de hectares — a maior área de cultura de eucalipto em todo o mundo — mais do que o dobro da área plantada pelo segundo colocado, a Índia.
Em 1974, o governo Geisel anunciou a criação de três subsidiárias com a finalidade de apoiar o empresário brasileiro. O presidente do BNDE (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico), Marcos Pereira Vianna, reunido na ABDIB (Associação Brasileira para o Desenvolvimento da Indústria de Base) conclamou os empresários: "É a hora de investir em grandes projetos." Após um ano, as três subsidiárias realizaram ao todo 41 operações, perfazendo um total de quase Cr$ 2,5 bilhões. Coube à Aracruz Celulose S.A. cerca de 21 vezes mais do que o montante posto à disposição da indústria brasileira. O BNDE Notícias anunciava que o contrato assinado em 21 de agosto de 1975 fora "A maior colaboração financeira já concedida a uma empresa do setor privado. (...) Um projeto cujo investimento total atinge cerca de 460 milhões de dólares por ano." Eram acionistas da Aracruz: o próprio BNDE, o grupo Walter Moreira Salles, a Cia. Souza Cruz (BAT-British Tobacco), Erling Lorentzen e Billeruds Aktiebolag.
Em 1975, começa a falência dos produtores brasileiros, decrescendo a produção brasileira em 16,1%. Apenas conseguiram se manter ou sobreviver as empresas que haviam providenciado o replantio.
Em 01/03/1976, em entrevista ao Busines Week (Champion International — Carl after a decade of turmoil), o seu presidente Sr. Andrew C. Singler declarou ao justificar a instalação de uma fábrica de papel e celulose no Brasil: "Iremos para qualquer parte do mundo aonde tiver madeira. (...) Necessitamos de uma base de celulose."
"Mas não há dúvida, a produção nacional de celulose deverá, em longo prazo, crescer substancialmente, tendo em vista o esgotamento de reservas florestais de outros países. Cabe, no entanto indagar: Quem controlará a expansão da produção e quem tirará proveito dela?" (Rudolf, Mirow Kurt, A ditadura dos cartéis — Anatomia de um subdesenvolvimento, Ed. Civilização Brasileira, 1977).
No anos de 1985 a FAO iniciou o alerta sobre os problemas sociais e ambientais, afirmando: "O eucalipto não deve ser plantado em larga escala sem uma avaliação de suas consequências econômicas e sociais". Porém, em 1986, com os incentivos fiscais concedidos pelo Governo Federal, chegou-se a 3,2 milhões de hectares plantados, até que em 1987 esses incentivos foram abolidos.
No Estado da Bahia, em 1988, produtores rurais, clero, parlamentares e autoridades estaduais e federais, como foi documentado pela imprensa local, se manifestaram favoráveis a cessar o plantio de eucalipto no estado, porque as extensas plantações florestais estavam ocupando terras agricultáveis, expulsando os pequenos produtores de suas terras. Em 2001, no Espírito Santo foi criada uma lei que proíbe novos plantios de eucalipto no estado.
Em Minas Gerais a paisagem foi transformada pela monocultura, desaparecendo pássaros, mamíferos e plantas, inclusive em áreas de Mata Atlântica e cerrado (Lima, Walter de P., Impacto Ambiental do Eucalipto, Ed. da Universidade de São Paulo, 1996).

MONOCULTURA E DEVASTAÇÃO

A Embrapa/PR faz análise em 23 espécies de 73 procedências. Plantadas em espaçamento médio de 3 x 3 m, algumas alcançam 2,5 de raiz no solos. No entanto, esta planta pode alcançar 20 metros, ou mais, de raiz no solo, abrindo drenos em rochas em busca da quantidade necessária de água para a sua existência. Não necessita de muitos nutrientes; precisa de água e sol para se desenvolver. Tempo médio para corte, dependendo da espécie, de 4 a 11 anos. Atingem em média 25 metros de altura. As espécies mais plantadas no Brasil são aeucalyptus grandis e eucalyptus saligna. Revelou-se superior ao pinheiro na produção de celulose há apenas 30 anos. Cultura alelopata, não permite que outras espécies se desenvolvam perto, a não ser muitos anos após ter sido retirada do local. A principal causa para os efeitos perniciosos é não se conhecer a qualidade do terreno utilizado para a plantação. Só é auto-suficiente quando adaptado ao meio geográfico semelhante ao australiano, em especial com alta ocorrência de chuvas (acima de 1.200mm/ano). Cada árvore consome cerca de 360 litros de água por dia.
A cultura do eucalipto consorciada com outra espécie, mesmo com manejo especial, implica em aumento de custos e redução da produtividade. Sua monocultura se revela de bom crescimento e rendimento madeireiro, representando uma fonte de energia 87% mais barata que a de combustíveis fósseis, por outro lado, ela representa um desenvolvimento de escala devastadora, porque reduz a biodiversidade — o principal impacto — por falta de suporte alimentar desaparece a vida animal (exceto as abelhas) e não subsistem outras variedades de plantas; afeta os lençóis freáticos interferindo no reabastecimento da umidade do solo e realimentação dos mananciais; altera a qualidade do solo quando plantadas em áreas férteis, destruindo as condições de produtividade biológica, a fertilidade do solo e a capacidade futura de produção de alimentos onde for instalada.
No mundo, 200 milhões de hectares de plantações florestais são de eucalipto — o que equivale a 40% de área coberta na Amazônia Legal Brasileira, sendo que a Amazônia Legal corresponde a 61% do território nacional. Mas o Brasil possui a maior floresta cultivada com eucalipto do mundo, área que supera a plantada por arroz, feijão e café.
Para cada 15 hectares de plantação de cultura de café, são empregadas trinta pessoas, de fruticultura, sete, mas, para o cultivo do eucalipto só é empregada uma pessoa. Na pecuária, três cortes de eucaliptos (20 anos) representam a produção de seis gerações de bois, à base de duas cabeças por hectare.

O MEIO E O AMBIENTE DA EMBROMAÇÃO

A Aracruz opera em 86 municípios (56 no Espírito Santo, 17 em Minas Gerais e 13 na Bahia). A Aracruz informa em sua página eletrônica dispor de: "Instalações para proteção ambiental, para recuperação de produtos químicos, tratamento de água e geração de energia a partir da biomassa. O impacto ambiental é minimizado por modernos sistemas de tratamento de emissões, efluentes e resíduos sólidos. Com a expansão de seus plantios de eucalipto, a Aracruz incorporou a suas propriedades cerca de 22 mil hectares de reservas nativas, que agora somam 87 mil hectares, ou 32% da área total da empresa. Essas reservas têm sido preservadas ou recompostas pela empresa nas propriedades que estão sendo adquiridas. São recompostas as áreas de preservação permanente consideradas em situação de risco, principalmente as situadas à margem de cursos d'água, nascentes, lagoas e represas. Também estão sendo averbadas áreas de reserva legal em 20% das propriedades adquiridas. Com isso, a Aracruz passa a ser detentora da maior área de reservas florestais nativas privadas, representativas da Mata Atlântica no extremo sul da Bahia e norte do Espírito Santo. Os estudos de recursos hídricos foram considerados desnecessários pelas autoridades ambientais, pois dados já existentes, produzidos em levantamentos anteriores, comprovaram baixo ou nenhum impacto."
A Aracruz tem a intenção de ter a maior participação de mercado possível para agregar valor aos seus acionistas: Banco Safra, Votorantim Celulose e Papel (VCP), Grupo Lorenstzen.
"O Ebitda, sigla para lucro antes de juros, impostos, amortização e depreciação, também teve forte alta, passando de 114,7 milhões de reais para 437,4 milhões de reais, na comparação ano a ano. Analistas esperavam, em média, Ebitda de 385 milhões de reais no período" (César Bianconi, Reuters/SP, 30/05/2003 sobre a Aracruz). Esta informação é preocupante, pois a empresa, se tivesse transparência, informaria os dados do PL (Patrimônio Líquido)após todas obrigações terem sido realizadas.
"A principal preocupação do presidente do BNDES é com a infra-estrutura, que não teria condições de atender ao crescimento na produção. Segundo Lessa, mesmo com um crescimento "pífio" de 4% do PIB a necessidade de investimentos seria elevada. (...) O presidente do BNDES, Carlos Lessa, já deixou claro que pretende oferecer empréstimos a setores que estejam perto de seu limite produtivo e que sejam geradores de divisas, o que inclui papel e celulose. Apenas entre 2001 e 2002, o BNDES emprestou 2,4 bilhões de reais a empresas dessa indústria. A receita no primeiro trimestre foi de 763 milhões de reais, alta de cerca de 157% quando comparada ao faturamento de 296,4 milhões de reais em igual período do ano anterior. O volume de celulose produzida atingiu 497 mil toneladas, acréscimo de 56%." (Leite, Sérgio, Políticas públicas e agricultura no Brasil, Ed. da Universidade/UFRGS, 2001)
Novamente há uma preferência, sem explicações convincentes, para os investimentos deste banco que privilegia interesses estranhos, em tempos de programa Fome Zerorealizado pelo governo brasileiro, neste ano de 2003. "No caso da Aracruz, maior fabricante mundial de celulose branqueada de eucalipto, está em fase de estudos uma nova planta (uma OGM, ou seja, transgênica), a Veracel, projeto na Bahia em parceria com a finlandesa Stora Enso e com aporte previsto de 1 bilhão de dólares. Os 50% despendidos pela empresa brasileira na joint-venture devem vir do próprio BNDES, do caixa da companhia e de financiamentos externos. As negociações com o banco de fomento recomeçaram nesta terça-feira." (Leite, Sérgio — já citado). Segundo Youssef Nasser (deputado Estadual PPS-ES) "toda essa situação se tornará mais grave com a utilização de uma nova variedade geneticamente modificada, capaz de render 130% mais de celulose e alcançar o ponto de corte em apenas cinco anos e não mais sete."

CHARLATANISMO EXUBERANTE

A Aracruz diz que o eucalipto não é esse vilão que apontam. Não há transparência nesta empresa. Nos dados apresentados, há camuflagem nas informações. Com todo o tratamento que por lei deve ser realizado no passivo ambiental gerado pelas empresas, sempre há resíduos. Onde vão parar os da Aracruz Celulose S.A?
Enquanto isso, o Espírito Santo já é considerado, hoje, o deserto verde.
"(...) árduos defensores da industrialização a todo custo e da implantação das grandes extensões de monocultura, acreditam que o PIB deve falar mais alto, e que os efeitos negativos da implantação dos projetos não devem ser incluídos nas analises de custo/benefícios. Deixaram para os sociólogos e assistentes sociais a resolução dos problemas sociais inerentes, enquanto repassaram aos biólogos e sanitaristas a incumbência de mitigar os problemas ecológicos decorrentes" (Braga, Ricardo A. P.,Avaliação de impactos ambientais: uma abordagem sistêmica, Ed. Ciência e Cultura, 1985).
Em 1994 a FBDS (Fundação Brasileira de Desenvolvimento Sustentável) fomentou pesquisa das empresas Aracruz Celulose S.A.; Cia. Vale do Rio Doce; Champion Papel e Celulose; Denpasa S.A.; Igaras Papéis; Duratex; Klabin Papel e Celulose e da própria FBDS, sobre o sequestro de CO2 e o custo de reflorestamento, com Eucalyptus spp e Pinus spp, no Brasil (disponível na página eletrônica da Fundação).
Dados estarrecedores, deste trabalho:
1
A plantação efetiva de 3,8 milhões de hectares ocupa menos de 0,5% do território nacional. Estas plantações podem ser expandidas, caso necessário, tanto por razões econômicas quanto por razoes ambientais, sem afetar a disponibilidade da terra para fins agrícolas. Reflorestamentos poderiam facilmente utilizar terras marginais, do ponto de vista da agricultura, trazendo uma valiosa contribuição em termos de controle de erosão, conservação do solo e proteção de bacias hidrográficas e preservação da biodiversidade, quando levadas em consideração as áreas destinadas à preservação das florestas nativas pela legislação brasileira.

2
De acordo com a legislação brasileira, extensas áreas devem ser preservadas com florestas nativas ou recuperadas com florestas naturais. Desta forma, no cálculo final para negociação sobre o custo por tonelada do carbono fixado, os estoques de carbono formados por estas reservas florestais, que são de 50% na Região Amazônia e 20% em outras regiões do Brasil, também deverão ser levados em consideração.

3
A cada hectare pode-se plantar, em média 1.600 árvores. Nos 3,8 milhões de hectares plantados no Brasil, estima-se que haja um estoque inicial de 6 bilhões de árvores, ou seja, a reserva de 40 árvores para cada brasileiro, estimando-se a população atual do país em 150 milhões de habitantes.

INTERESSES ESCUSOS

A área plantada por eucalipto supera a área plantada por arroz, feijão e café, e em 1996 já correspondia a metade do estado de Minas Gerais, cerca de 5% do território nacional. Porque este levantamento econômico não foi realizado, por exemplo, com áreas a serem recuperadas com leguminosas, que, efetivamente, restabelecem toda biodiversidade e fertilidade do solo? Se cada árvore consome cerca de 360 litros de água por dia e em cada hectare pode-se plantar 1.600 árvores, e a raiz vai buscar água a profundidade de 20 metros ou mais abrindo drenos em rochas interferindo nos lençóis freáticos, até quando teremos água?
Ou seja: 1.600 árvores x 360 litros = 576.000 litros x 365 dias = 206.240.000 litros de água por hectare, num único ano! Imagine!!!
Em, 16/06/2003, a Fundação Cide (órgão do estado do RJ) lançou oficialmente o IQM-Verde (Índice de Qualidade do Município Verde). A página (http://200.156.34.70/iqmverde/apeamentodigital.htm), onde se lê a legendaReflorestamento — área destinada a plantios comerciais, homogêneos — silvicultura, utilizando espécies exóticas, como Pinheiros e Eucaliptos, permite indagar: Que fins comercias o estado tem com o eucalipto? É esta uma nova atividade do estado?
Por acaso, o governo federal não está defendendo interesses escusos e não o de sua nação, a nação brasileira que o elegeu para que por ele fosse defendida? Quando as capas de jornais de todo o país divulgam o presidente sr. Luiz Inácio da Silva pedindo calma, pois as pressões são grandes, fica a indagação: este senhor, eleito pelo voto popular, lá no Planalto, representa o povo para defender os direitos de quem? Por que, então, suas palavras antes da posse: "Quero dizer olhando na cara de cada um de vocês: sei que não posso falhar. (...) Sei que não posso trair o sonho dos milhões e milhões de brasileiros que estão comigo."
Uma pátria é território habitado por uma coletividade, que constitui uma realidade histórica e geográfica com designação própria e que tem no Estado o conjunto dos poderes políticos e meio pelo qual busca regular ou modificar os negócios econômicos de sua nação, que é pessoa jurídica formada pelo conjunto dos indivíduos regidos pela mesma Constituição, distinta desses indivíduos, e titular da soberania e que por direito legítimo de voto, decidem o que querem para si. Somos nós, a nação brasileira; soberanos em nossa biodiversidade e economia, e não grupos que se acham acima do bem e do mal, que se consideram impositores do nosso destino e dominadores de eternos leigos dementes.
Somos todos, pessoas físicas e pessoas jurídicas, responsáveis e solidárias em qualquer ação de danos ambientais, em que tenhamos conhecimento e devendo denunciar. A biodiversidade é de direito difuso (de todos) e deve ser tratada por nós brasileiros como causa de segurança nacional. Não devemos permitir que pensem por nós. Este é o único ecossistema que não nos podem violar. Não, se não permitirmos. Como diria o poeta Vinicius de Morais: "A hora do sim é o descuido do não."

Obs.: as imagens foram baixadas no google acrescentadas ao texto para simples ilustração.

CARTA DA MATA ATLÂNTICA


Da Rede de ONGs da Mata Atlântica 

e da Reserva da Biosfera da Mata Atlântica.


A Mata Atlântica é o bioma mais ameaçado do Brasil e o segundo do Planeta, globalmente reconhecido como prioridade para ações de conservação da biodiversidade, dos serviços ambientais e demais recursos naturais. Isso acontece não apenas por sua sociobiodiversidade inigualável, que está desaparecendo, mas também por sua importância para a manutenção da qualidade de vida de mais de 60% da população brasileira que habita seu território.


A deterioração do bioma, causada por um modelo de desenvolvimento que privilegia grandes projetos públicos e privados, planejados e implementados sem os devidos cuidados socioambientais, gera problemas como a perda de biodiversidade e dos serviços ambientais prestados pelos ecossistemas, como a regulação da quantidade e da qualidade da água.


O resultado mais visível dessa situação hoje na Mata Atlântica é a ocupação indiscriminada de morros e áreas de mananciais. Com isso, a população passa a conviver com enchentes e desabamentos em épocas de fortes chuvas e falta de água em tempos de seca, entre muitos outros problemas. Um retrospecto recente das consequências disso vão desde perdas econômicas – em um território que corresponde a 70% do PIB brasileiro – e de qualidade de vida nas cidades, até perdas de vidas humanas.


É por isso que a situação crítica da Mata Atlântica tem mobilizado diversos setores da sociedade, que exigem ações e políticas capazes de assegurar sua conservação e restauração. No entanto, na contramão das necessidades, estamos vivenciando um grande retrocesso na política socioambiental brasileira, que impacta negativamente tanto a Mata Atlântica como os demais biomas presentes no país. 


Nesse contexto, nós, da Rede de ONGs da Mata Atlantica e da Reserva da Biosfera da Mata Atlântica, apresentamos dez ações fundamentais e emergentes para reversão das degradações e proteção do bioma. 


1 - Retomar a agenda de criação e implantação de áreas protegidas; 


2 - Regulamentar o Fundo de Restauração da Mata Atlântica (previsto em lei há oito anos); 


3 - Estruturar de maneira adequada os órgãos responsáveis pelo cumprimento do Código Florestal brasileiro (em vigor há dois anos); 


4 - Implantar, de forma qualificada, transparente e com participação social, os instrumentos do Código Florestal brasileiro, como o Cadastro Ambiental Rural, a restauração florestal e os incentivos econômicos e fiscais, para a sua total efetivação; 


5 - Estabelecer um marco legal sobre Pagamento por Serviços Ambientais, em consonância com o Código Florestal brasileiro e propor a criação de leis e programas similares nos estados e municípios;


6 - Criar programas, em âmbito federal e estaduais, de fomento a elaboração e implementação dos Planos Municipais de Conservação e Recuperação da Mata Atlântica;


7 - Rearticular e fortalecer o Sistema Nacional do Meio Ambiente (Sisnama) como principal instrumento de gestão da política ambiental nacional, com participação e controle social;


8 - Estabelecer um plano de ação para o cumprimento e monitoramento das Metas da Convenção da Diversidade Biológica (Metas de Aichi) voltadas para conter as perdas de biodiversidade no bioma, envolvendo e fomentando os estados e diversos segmentos da sociedade;


9 - Promover ampla discussão com a sociedade sobre megaempreendimentos, públicos e privados, que impactam o bioma;


10 - Integrar as Políticas Públicas, nas três esferas da federação, tais como recursos hídricos, meio ambiente, agroecologia e mudanças climáticas, para a conservação e preservação do bioma.



Fonte: clique aqui.

terça-feira, 3 de junho de 2014

NOVA LOGO DOS ADMIRADORES DA CIPPA MATA ATLÂNTICA


Parabéns aos nobres guerreiros da CIPPA Mata Atlântica (PMBA), em particular ao Soldado Christiano, pela escolha da nova Logo dos Admiradores da CIPPA Mata Atlântica. O fundo azul realmente tem tudo a ver, tendo em vista a grandeza do nosso litoral. 

Fixamos a Logo na margem direita deste blog, a fim de quem nela clicar tenha acesso imediato ao Facebook desses honrados parceiros na luta em defesa da nossa natureza.